
A arte de viajar· 6 min de leitura·13 de dezembro de 2024
Requisitos de entrada no Peru: visto, vacinas e documentação
O que pedem as migrações, o que recomenda a saúde pública e o que convém ter pronto antes do voo.
Por Kada Travel Editorial
Entrar no Peru é relativamente simples, mas há nuances conforme a nacionalidade e o destino dentro do país. Este guia descreve os requisitos em vigor em 2026, para evitar surpresas no aeroporto ou nas clínicas peruanas. A informação é operacional, não comercial.
Visto por nacionalidade
O Peru permite a entrada sem visto até 183 dias aos cidadãos da maioria dos países ocidentais. Os principais casos:
Sem visto até 183 dias: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, todos os países da União Europeia, Suíça, Noruega, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Coreia do Sul, Brasil, Argentina, Chile, México e a maior parte da América do Sul.
Visto exigido: China (exceto Hong Kong), Índia, Rússia, Cuba, Vietname, vários países de África e do Médio Oriente. O visto pede-se no consulado peruano do país de origem, com 30 a 60 dias de antecedência.
Prazo autorizado: desde maio de 2023 o Peru deixou de carimbar passaportes nos seus aeroportos internacionais. O funcionário regista a entrada e o número de dias autorizados (normalmente 90, no máximo 183) no cartão andino de migração virtual. Perguntar esse número ao passar a imigração e verificá-lo depois no portal das migrações. Se for inferior a 90 dias e a viagem exigir mais, pedir prorrogação imediata (raramente negada).
Passaporte: válido por pelo menos seis meses a contar da data de entrada no Peru. Se caducar antes, renová-lo antes de viajar.
Vacinas obrigatórias
Só uma vacina é exigida pelo Ministério da Saúde peruano:
Febre amarela: obrigatória para viajantes provenientes de países com risco (a maior parte da África subsariana e alguns países da América do Sul, como a Bolívia, o Brasil e a Colômbia). NÃO é obrigatória para quem chega diretamente da Europa, dos EUA, da Ásia ou da Austrália.
É, em contrapartida, vivamente recomendada se o itinerário incluir a Amazónia peruana (Manú, Tambopata, Iquitos, Puerto Maldonado). Sem vacina, a entrada nestas zonas faz-se por conta e risco do viajante. Tomar pelo menos dez dias antes da partida (prazo de imunidade). Custo: USD 30-80 conforme o país de origem. Uma única dose para toda a vida.
Vacinas recomendadas
O Ministério da Saúde peruano e a OMS recomendam:
Hepatite A: por causa das refeições em restaurantes e mercados. Duas doses com seis meses de intervalo. Numa primeira viagem, uma só dose protege durante um ano. Custo: USD 60-120.
Tétano-difteria: o padrão da viagem internacional. Reforço de dez em dez anos.
Febre tifoide: facultativa, recomendada para a Amazónia ou para quem come em bancas de rua. Custo: USD 80-120.
Raiva: facultativa, recomendada para estadias em comunidades rurais com cães de rua. Três doses num mês. Custo total: USD 250-400. Só para viajantes que terão realmente contacto com animais.
Nem obrigatórias nem recomendadas num itinerário peruano padrão: dengue, malária (exceto Amazónia profunda), zika.
Documentos a levar
Quatro documentos para ter sempre consigo:
Primeiro, o passaporte original. Levá-lo ao pescoço ou numa bolsa interior, nunca na mochila exterior. No aeroporto e à entrada de Machu Picchu exige-se o original.
Segundo, uma fotocópia do passaporte e do visto, se aplicável. Levar duas ou três, guardadas à parte do original. Para o caso de perda, roubo ou exigência administrativa.
Terceiro, o seguro internacional. A carta de cobertura impressa, com o número de assistência 24/7 bem visível. Em emergência médica, os hospitais peruanos exigem a confirmação de cobertura ANTES de qualquer tratamento não urgente.
Quarto, o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela, se a tiver tomado. O boletim amarelo é emitido pelo centro de vacinação, segundo o modelo da OMS. As migrações peruanas podem pedi-lo à entrada (raramente).
Alfândega e declarações
O Peru deixa entrar sem declaração:
Até USD 10 000 em dinheiro (acima disso, declaração obrigatória).
Até três litros de bebidas alcoólicas por adulto.
400 cigarros (vinte maços), ou 50 charutos, ou 250 gramas de tabaco, por adulto.
Equipamento pessoal: máquina fotográfica, computador portátil, telemóvel, livros.
Algumas categorias exigem declaração:
Drones (declaração obrigatória à entrada, registo junto da autoridade aeronáutica).
Equipamento fotográfico profissional (acima de USD 3000 de valor).
Produtos farmacêuticos em grandes quantidades.
Plantas vivas, sementes ou produtos vegetais.
Saúde durante a viagem
Quatro precauções:
A primeira, a água potável. NÃO beber água da torneira. A água engarrafada é a norma em hotéis e restaurantes. Para usar água da torneira: ferver cinco minutos. As pastilhas de purificação são alternativa, menos fiável.
A segunda, o cuidado com o ceviche de rua. O ceviche das boas mesas é seguro. Em mercados ou bancas de rua, o peixe cru expõe a risco de contaminação cruzada. À primeira vez, ficar pelos restaurantes estabelecidos.
A terceira, as frutas e os legumes. Consumir apenas o que se descasca (manga, ananás, banana) ou o que vem cozinhado. As saladas dos mercados expõem a gastroenterite.
A quarta, o repelente. Na Amazónia é necessário um repelente com pelo menos 30% de DEET. Na serra e na costa não é. Levar para cinco a sete dias se a viagem passar pela selva.
Clínicas privadas com padrões internacionais
Em caso de emergência médica:
Em Lima: Clínica Anglo Americana, Clínica San Felipe, Clínica El Golf. Têm acordos com seguradoras internacionais (Allianz, AXA, etc.).
Em Cusco: Clínica San Juan de Dios, hospital regional. A altitude de Cusco pode agravar uma emergência respiratória: é um dado importante.
Em Arequipa: Clínica San Juan de Dios.
O travel designer do bespoke tem contactos diretos nestes estabelecimentos. Em emergência, contactar o travel designer por WhatsApp ANTES do hospital, para a coordenação com o seguro.
O erro mais caro é viajar sem seguro internacional adequado. Uma emergência médica em Cusco ou na Amazónia, sem cobertura, pode representar USD 10 000 a 30 000 em tratamento e evacuação. Um seguro de USD 80 a 180 por pessoa evita isso e justifica-se por si só.
Kada Travel
O cartão andino de migração (TAM)
O cartão andino de migração (TAM) já não é um documento em papel. O Peru desmaterializou-o: o funcionário regista a entrada no sistema e não há cartão amarelo para guardar nem para devolver à saída. Quem precisar de prova do prazo autorizado — alguns hotéis pedem-na para aplicar a isenção de IVA a não residentes — descarrega-o do portal das migrações peruanas com o número do passaporte. Tendo o carimbo desaparecido dos aeroportos internacionais em maio de 2023, este cartão virtual passou a ser a única prova da data de entrada e do prazo concedido.
Escrito por Kada Travel Editorial
Perguntas Frequentes
A maioria dos países sul-americanos está dispensada. Verificar o caso concreto no sítio oficial das migrações peruanas (migraciones.gob.pe).
Não é exigida no aeroporto, mas é vivamente recomendada e alguns lodges remotos podem pedi-la. Sem ela, a entrada faz-se por conta e risco do viajante.
Comunicar de imediato à embaixada ou consulado do seu país e à esquadra peruana. O documento de emergência obtém-se em 24 a 72 horas. O travel designer trata da logística (táxi, tradução, acompanhamento).
Antecedentes graves (terrorismo, tráfico de pessoas, narcotráfico) podem levar à recusa de visto ou de entrada. Antecedentes menores não são motivo. Em caso de dúvida, consultar o consulado.
Dez dias no mínimo (prazo de imunidade). Hepatite A e febre tifoide: 14 a 21 dias. Raiva: mais de 30 dias (três doses). Recomendamos uma consulta do viajante 30 a 60 dias antes da partida.
Sim, com inspeções aleatórias. Não exportar antiguidades pré-colombianas (é crime punido pela lei peruana), plantas vivas, animais selvagens nem grandes quantidades de folha de coca (legal no Peru, ilegal na maioria dos países).
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