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Choquequirao, norte peruano e Cordilheira Branca: o Peru fora dos roteiros

Destinos· 9 min de leitura·15 de abril de 2025

Choquequirao, norte peruano e Cordilheira Branca: o Peru fora dos roteiros

Quando Machu Picchu já não basta — três regiões para o viajante que regressa.

Por Kada Travel Editorial

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Há um Peru que não aparece no itinerário padrão. Três regiões que recebem menos de cinco por cento do turismo internacional e que conservam pedras incaicas, múmias pré-incas, nevados acima dos seis mil metros e silêncios que Cusco perdeu há duas décadas. Este guia propõe-as ao viajante que já conhece o Peru clássico e regressa à procura de outra coisa.

Choquequirao: a irmã de Machu Picchu

Choquequirao é o sítio inca que os conquistadores espanhóis nunca encontraram. Construído no século XV num cume do vale do Apurímac, a 3085 metros, foi ocupado até 1572, quando os últimos incas rebeldes se renderam. Hiram Bingham visitou-o em 1909, dois anos antes de Machu Picchu, mas achou-o menos espetacular e continuou a procurar. Essa decisão definiu o seu futuro: Machu Picchu tornou-se ícone mundial; Choquequirao, um sítio remoto acessível apenas com dois dias de caminhada.

O sítio tem a mesma estrutura de Machu Picchu — socalcos, praças cerimoniais, sistema hidráulico — mas dois terços da sua área estão ainda por escavar. As chamadas «lamas brancas» de Choquequirao — figuras de lamas feitas com pedras brancas embutidas em muros escuros, o único exemplo na arquitetura inca — são a marca do lugar.

O acesso é a barreira. Dois dias de caminhada desde Cachora (a quatro horas de Cusco), com 1500 metros de descida até ao Apurímac e 1700 de subida até ao sítio. Acampamento ou cabana básica em Marampata, povoação a hora e meia do sítio. Três dias a caminhar, duas noites na montanha, sem luxo acessível. Nenhum hotel boutique tem ali presença.

Há também uma opção de seis dias: Choquequirao de um lado, Machu Picchu do outro, ligando os dois por trilho inca. É um dos trekkings mais exigentes e memoráveis do Peru — para o viajante excecional, com boa condição física e duas ou mais semanas no país.

O governo peruano anunciou em 2024 um teleférico que ligaria Cachora a Choquequirao, reduzindo a viagem a uma hora. A obra está em construção e deverá operar em 2027-2028. Quando abrir, o sítio passará a receber em massa e a versão que ainda se vive — solitária, ganha — chegará ao fim. Para quem quiser Choquequirao na sua versão atual, a janela é agora.

Norte peruano: a rota mochica

O norte do Peru concentra os reinos pré-incaicos mais sofisticados. A cultura mochica (200-700 d.C.) deixou as maiores pirâmides de adobe da América do Sul — Sipán, Sicán, Huaca de la Luna — e uma arte cerâmica que a UNESCO declarou Património Cultural. É hoje a região menos visitada do Peru turístico clássico, o que a torna ideal para o viajante curioso por arqueologia.

Três cidades estruturam a rota: Trujillo (capital do norte, 1h de avião desde Lima), Chiclayo (a norte de Trujillo, capital do antigo reino mochica) e Cajamarca (na serra norte, onde Atahualpa foi capturado e executado por Pizarro em 1532). Cada uma tem quatro a cinco dias de matéria; a rota completa exige oito a dez dias.

O sítio imperdível é Sipán: o túmulo intacto do Senhor de Sipán, descoberto em 1987, considerado o túmulo real pré-colombiano mais rico alguma vez encontrado na América. Está exposto no Museu Tumbas Reales de Sipán, em Lambayeque, ao lado de outro túmulo real (o do Sacerdote-Guerreiro) e de reconstituições arqueológicas. É o museu mais impressionante do Peru depois do Larco, em Lima.

Para alojamento: Costa del Sol Wyndham Trujillo, Casa Andina Premium Trujillo e Costa del Sol Wyndham Cajamarca. A oferta não chega ao nível da Belmond, mas é funcional e confortável. A região é dez vezes mais barata do que Cusco-Machu Picchu, o que baixa o custo da viagem inteira.

Cordilheira Branca com a lagoa 69
A Cordilheira Branca em agosto: a maior concentração de nevados acima dos seis mil metros de todo o mundo tropical.

Cordilheira Branca: os nevados acessíveis

A Cordilheira Branca, no departamento de Áncash, é a cadeia montanhosa tropical com mais nevados acima dos seis mil metros do mundo. Trinta e oito cumes passam os 6000 metros, liderados pelo Huascarán (6768 m, sexto cume mais alto da América do Sul). A paisagem é absoluta: lagos turquesa de origem glaciar, vales em U talhados pelo gelo, glaciares suspensos, fauna andina abundante (vicunhas, viscachas, condores).

O acesso faz-se por Huaraz, capital regional, a 8 horas de autocarro desde Lima ou 1h05 de voo (Lima-Huaraz). As opções de trekking são várias: Lagoa 69 (excursão de um dia, acessível a principiantes em boa forma), Santa Cruz (trek de 4 dias, paisagem icónica da cordilheira), Huayhuash (8-12 dias, considerado um dos dez melhores treks do mundo).

Para alojamento em Huaraz: o Andino Club Hotel e o Hotel La Joya são as opções de melhor serviço. A oferta de luxo é limitada — o Lazy Dog Inn, nos arredores, é o mais parecido com um hotel boutique. Para o viajante exigente interessado em montanhismo, a região avalia-se pela paisagem, não pelo alojamento.

A época de trekking vai de maio a setembro. Nas chuvas (novembro-março), os caminhos transformam-se em lama e muitas rotas fecham. Para fotografia, junho e julho são os meses de pico — céus cristalinos sobre os nevados brancos.

O Peru fora do circuito não é uma alternativa ao Peru clássico. É o Peru que existe assim que se sai do corredor turístico que vai de Cusco a Iquitos. Quem o conhece já não volta ao percurso padrão.

Kada Travel

Como combiná-los

Choquequirao só entra em viagens de catorze dias ou mais. O norte peruano e a Cordilheira Branca podem combinar-se entre si (oito a dez dias no total) sem passar por Cusco-Machu Picchu — são os itinerários que recomendamos ao viajante que regressa ao Peru.

Para a primeira viagem ao Peru, a introdução a estas regiões faz-se depois do circuito padrão (Lima-Cusco-Machu Picchu), se a viagem permitir vinte e um dias. A fórmula: dez dias de Peru clássico, três de descanso em Lima, oito dias no norte ou na Cordilheira Branca. É uma viagem de três semanas, recomendada a quem tem tempo e curiosidade real.

Escrito por Kada Travel Editorial

Perguntas Frequentes

Está em construção desde 2024. A data estimada é 2027-2028, sujeita aos atrasos típicos da obra pública peruana.

Para o amante de arqueologia, sem dúvida. Os sítios mochicas são os mais sofisticados do Peru pré-hispânico. Para o viajante generalista, melhor numa segunda viagem do que na primeira.

A Lagoa 69 sim, com boa condição física. Os treks de Santa Cruz e Huayhuash não — exigem experiência prévia de alta montanha.

Carro privado, 4h de Cusco até Cachora, depois dois dias de trekking com guia e mulas para o equipamento. Total: 2 dias de ida, 1 dia no sítio, 2 dias de regresso. Cinco dias.

Sim. A LATAM e a Sky voam diariamente Lima-Trujillo (1h), Lima-Chiclayo (1h15) e Lima-Cajamarca (1h30). As deslocações por estrada entre as três cidades demoram 3-4h.

Limitada. A oferta de luxo concentra-se no corredor Cusco-Lima-Iquitos. No norte e na Cordilheira Branca, os hotéis de cinco estrelas internacionais não existem. Para quem valoriza o hotel, isto é um fator.

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